sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia da decisão

Para os clientes que estavam na quarta-feira no Prozac Bar, jogando cartas e desperdiçando a vida por cinco contos (assim como o infeliz que escreve este texto), além dos cigarros e dos espirros de um tuberculoso sentado no balcão, oh!, para todos os presentes desse dia, o que vimos na televisão, nas paradas de ônibus, na boca dos crentes, no ar que se respira em Natal, enfim, em todos os lugares da cidade, o Dia da decisão não era mero acaso ou uma brincadeira de se ganhar dinheiro com religião. Pois bem, a porra do encontro evangélico tão escancarado se deu justamente a 200 metros do bar, no Machadão, de onde os gritos fervorosos do pastor emudecia a voz de Nick Cave! No bar, ninguém ligou muito até o momento em que, supostamente, o show no estádio acabou e os crentes saíram pelas ruas fazendo baderna. Foi mais ou menos por meio dessas circunstâncias que, às 21h, um grupo maluco de capetas com a bíblia na mão passou a fazer um protesto em frente ao bar, com o discurso de que cartas e álcool não combinava com o Dia da decisão. Tentaram invadir o bar, ameaçaram os donos do estabelecimento, leram dois ou três salmos, até o momento em que os prozaquianos ficaram do lado da grade de dentro jogando piúbas de cigarro e os crentes do outro lado afirmando ver demônios por todos os lados. A polícia chegou a tempo e, por azar e injustiça mundana, tomamos a primeira advertência na existência do bar. Tentei explicar que o bar é uma propriedade privada quando, no calor da conversa, um dos inválidos do lado de fora convenceu a polícia de que toda propriedade é propriedade de Deus.
Caralho, nunca mais discuto religião!

2 comentários:

  1. mas enfim, vai continuar tendo o poker ??
    ate hoje nao fui la fazer o rapa no povo.

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  2. Sensacional. Sugestão: toda propriedade não é de Deus? Compre um adesivo "Propriedade de Jesus". Pronto, quando chegarem frescando tu mostra o adesivo.

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